Quando o que parece ser “só uma virose” não passa, pode ser que estejamos falando em câncer e nesse caso, o que pode estar sendo confundido?
Há um tipo de dor que muitos pais e mães reconhecem sem saber explicar: é a sensação de que “meu filho não está bem”, mesmo quando o exame parece normal, mesmo quando “deve ser fase”, mesmo quando o sintoma vai e volta.
No câncer infantojuvenil, isso acontece porque os primeiros sinais, muitas vezes, são comuns a doenças frequentes na infância e, por isso, podem ser interpretados como algo simples, atrasando o diagnóstico.
A Domus convive com essa realidade de perto e por isso, sabemos que o tempo importa. Sabemos que, quando há persistência, repetição ou piora fora do padrão, é imprescindível investigar cedo, porque, pode significar um caminho de tratamento menos agressivo e mais chance de cura.
O “mapa” do alerta
Os sintomas comuns viram sinais que merecem atenção, quando a criança ou o adolescentes apresentar sintomas gerais como febre, emagrecimento, sangramentos, dor óssea, palidez ou, sintomas localizados como a cefaleia com vômitos, alterações visuais, caroços e dor abdominal.
O desafio é que isso também aparece em infecções e outras condições benignas, por isso, o diferencial costuma estar em padrão e persistência, ou seja, duração, intensidade, recorrência, associação de sinais e mudança no comportamento da criança.
— > Sinais de alerta mais citados em guias oficiais (principalmente quando persistentes, picos):
- febre persistente sem causa aparente;
- cansaço, palidez, falta de ar;
- manchas roxas/hematomas sem trauma e sangramentos (nariz, gengiva, urina);
- dor óssea ou articular (especialmente recorrente ou que acorda a criança);
- caroços/ínguas que não regridem;
- perda de peso ou queda importante do apetite;
- dor de cabeça frequente, especialmente ao despertar, com vômitos;
- alterações neurológicas (equilíbrio, marcha, visão, convulsões sem febre);
- reflexo branco no olho em fotos com flash (leucocoria).
— > Agora, vamos conectar esses sinais aos cânceres com maior ocorrência na infância e adolescência e como eles costumam “dar sinais” no dia a dia.
1) Leucemias (o câncer mais frequente na infância)
São as neoplasias mais comuns em crianças e adolescentes. Elas começam na medula óssea, onde o sangue é produzido, e podem causar sintomas ligados à falta das células normais do sangue.
— > Sinais e sintomas que merecem atenção:
- palidez, cansaço, prostração (anemia);
- febre ou infecções de repetição;
- manchas roxas, petéquias (nariz/gengiva);
- dor óssea ou articular generalizada;
- aumento de fígado/baço e ínguas (linfonodos).
Por que confunde?
Porque pode parecer “virose que não passa”, anemia por alimentação, “dor do crescimento” ou consequência de quedas comuns da infância. A diferença costuma ser a persistência e a associação de sinais.
2) O corpo dá sinais: linfomas (ínguas que não são só ínguas)
Os linfomas estão entre os tumores mais comuns na faixa pediátrica e frequentemente aparecem como aumento de gânglios (ínguas).
— > Sinais sugestivos:
- ínguas aumentadas que persistem (principalmente sem quadro infeccioso claro);
- febre sem causa, perda de peso e suores noturnos (os chamados “sintomas B”);
- aumento de fígado/baço;
- em alguns casos, coceira persistente e alterações no hemograma.
Por que confunde?
Porque ínguas aparecem com frequência em gripes, amigdalites e outras infecções. O alerta acende quando não regridem, aumentam progressivamente ou vêm acompanhadas de sintomas gerais importantes.
3) Dor de cabeça não é “normal”: tumores do sistema nervoso central
Tumores do cérebro e da medula podem causar sinais por efeito de massa ou por aumento da pressão dentro do crânio (hipertensão intracraniana).
— > Sinais e sintomas comuns:
- dor de cabeça matinal com náuseas e vômitos (muitas vezes o vômito alivia a dor);
- alterações de equilíbrio, marcha e coordenação;
- visão turva, estrabismo, nistagmo, redução do campo visual;
- convulsões (sem febre);
- sonolência, alteração de comportamento, queda no desempenho escolar;
- em bebês: aumento do perímetro cefálico, fontanela abaulada, sinais de hidrocefalia.
Por que confunde?
Porque cefaleia pode ser enxaqueca, sinusite ou estresse; vômitos podem parecer gastroenterite. O diferencial é o padrão repetido (principalmente ao despertar) e a presença de sinais neurológicos associados.
4) Caroços na barriga: tumores abdominais (neuroblastoma e tumor de Wilms)
Na infância, alguns tumores sólidos se manifestam como massa abdominal percebida no banho, ao trocar a roupa ou no colo.
— > Tumor de Wilms (rim). Pode se manifestar como:
- barriga aumentada ou massa abdominal palpável;
- dor abdominal;
- às vezes, sangue na urina e pressão alta.
— > Neuroblastoma (cadeia nervosa simpática, frequentemente no abdome) Pode causar:
- massa abdominal, dor e distensão;
- palidez, cansaço, febre;
- dor óssea quando há acometimento do osso.
Por que confunde?
Porque dor abdominal e “barriga estufada” podem ser gases, constipação ou parasitoses. O alerta aumenta quando há massa palpável, crescimento do volume abdominal, perda de peso ou sinais sistêmicos associados.
5) Quando a criança passa a mancar: tumores ósseos (osteossarcoma e sarcoma de Ewing)
Na adolescência, sobretudo em fases de estirão de crescimento, tumores ósseos podem surgir com:
- dor óssea persistente, progressiva, às vezes noturna;
- inchaço local, calor, limitação de movimento;
- fratura após trauma leve (em alguns casos);
- piora funcional: mancar, evitar apoiar o pé, reduzir atividades.
Por que confunde?
Porque pode parecer “dor do crescimento”, lesão esportiva ou inflamação. A diferença costuma ser a persistência e a progressão — especialmente quando a dor limita a vida da criança e não melhora no tempo esperado.
6) Nódulo que cresce devagar: sarcomas de partes moles (como rabdomiossarcoma)
Sarcomas podem aparecer como nódulo ou massa em qualquer região (braço, perna, tronco, cabeça e pescoço), muitas vezes:
- sem dor, mas com crescimento progressivo;
- aderido a planos mais profundos;
- com aumento de volume regional ou sinais dependendo da localização (ex.: obstrução nasal com secreção sanguinolenta; proptose ocular; alterações urinárias).
Por que confunde?
Porque “caroço” pode ser cisto, lipoma ou íngua. Mas massa que cresce e não tem explicação merece avaliação rápida.
7) Quando o olho conta a história: retinoblastoma (o sinal que aparece na foto)
Aqui, a rede social pode até ajudar: o reflexo branco na pupila em fotos com flash (leucocoria) é um sinal clássico de alerta, assim como estrabismo novo e alterações visuais.
Por que confunde?
Porque pode parecer “efeito do flash” ou “só uma inflamação ocular”. Mas leucocoria não é normal e deve ser avaliada com prioridade.
***NÃO normalize a persistência
Os materiais técnicos são claros: o câncer infantojuvenil costuma começar com sinais inespecíficos, e o atraso acontece porque ninguém imagina câncer como hipótese inicial. Por isso, a regra prática que salva tempo é: sintoma persistente, progressivo ou associado a vários sinais = merece reavaliação.
Se você é pai, mãe, cuidador(a), educador(a) ou familiar: confie na sua observação. Se a criança “não está como sempre”, vale insistir, retornar e pedir reavaliação.
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-> AVISO IMPORTANTE: Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem uma avaliação médica presencial. Apenas um profissional de saúde qualificado pode realizar diagnósticos, prescrever tratamentos e fornecer orientações específicas para cada caso. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um médico.
Fontes de pesquisa:
AMERICAN CANCER SOCIETY. Childhood cancer.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Câncer da criança: sinais de alerta.
INSTITUTO RONALD MCDONALD. Diagnóstico precoce. [S. l.]: Instituto Ronald McDonald
INSTITUTO RONALD MCDONALD. Guia rápido. [S. l.]: Instituto Ronald McDonald, 2024.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA (SOBOPE). Câncer infantil.
ST. JUDE CHILDREN’S RESEARCH HOSPITAL. Together: childhood cancers.