Quando algo parece errado, é importante investigar!
O câncer infantojuvenil é raro e nem sempre chega acompanhado de um sintoma “óbvio”. Muitas vezes, trata-se de um conjunto de mudanças que persiste, porque os primeiros sinais são sutis e facilmente confundidos com outras condições comuns da infância, até mesmo pelos profissionais de saúde.
Quando procurar atendimento?
Alguns sintomas exigem atenção imediata, sem aguardar consulta agendada, como:
- Aumento e (ou) dor abdominal persistente
- Alteração súbita de consciência ou convulsão
- Alteração na visão com perda de equilíbrio, mudança no comportamento ou desempenho na escola
- Cansaço fora do normal, palidez, desânimo
- Dificuldade para respirar ou engolir
- Dor de cabeça forte, vômitos (especialmente ao acordar)
- Dor óssea persistente (principalmente à noite) ou “mancar” sem motivo claro
- Febre recorrente ou prolongada sem explicação
- Inchaço rápido em qualquer parte do corpo
- Ínguas (caroços) que não somem
- Manchas roxas com facilidade, sangramentos (nariz/gengiva)
- Perda de peso e (ou) falta de apetite
- Sonolência
Esses sinais, por si só, não significam câncer. Mas quando persistem ou se combinam, merecem atenção médica sem demora.
Nesses casos, vá diretamente a uma UPA ou pronto-socorro. Na Serra Gaúcha, o Hospital Geral de Caxias do Sul (HGC) é a referência em oncologia pediátrica para os 49 municípios da 5ª Coordenadoria Regional de Saúde.
Primeiro atendimento
Para a maioria das famílias da região, o caminho começa na rede pública de saúde. Compreender essa jornada é fundamental para evitar a desorientação e a desistência.
O QUE COSTUMA ACONTECER:
→ 1. Unidade Básica de Saúde (UBS): A família busca atendimento com o pediatra ou médico de família. Ao identificar sinais suspeitos, o profissional faz uma primeira avaliação clínica.
→ 2. Primeiros exames: São solicitados exames básicos: hemograma completo, exames de sangue e, em alguns casos, raio-x ou ultrassom. Resultados alterados pedem investigação mais aprofundada.
→ 3. Encaminhamento pelo sistema de regulação: O médico emite um encaminhamento para um especialista. A família entra no sistema de regulação do SUS (Central de Regulação), o que pode gerar um tempo de espera que varia conforme a urgência indicada.
→ 4. Consulta com especialista: A consulta com hematologista ou oncologista pediátrico é o próximo passo. Para as famílias da Serra Gaúcha, essa referência costuma ser o Hospital Geral de Caxias do Sul.
→ 5. Exames de maior complexidade: Com base na suspeita, o especialista solicita tomografia, ressonância magnética, biópsia (análise de amostra de tecido) ou mielograma (exame da medula óssea). Esses exames definem o tipo de câncer e o estágio da doença.
→ 6. Diagnóstico confirmado: Com os resultados, a equipe confirma ou descarta o diagnóstico. Em caso positivo, é definido o protocolo de tratamento e a família é orientada sobre os próximos passos.
→ 7. Início do tratamento: O tratamento pode incluir quimioterapia, radioterapia, cirurgia, transplante de medula óssea ou combinações entre eles. Esse processo costuma durar meses, às vezes até anos, com idas frequentes ao hospital.
→ 8. Acompanhamento contínuo: Durante e após o tratamento, a criança é monitorada de perto pela equipe. O período de seguimento serve para verificar a remissão da doença e identificar possíveis sequelas.
Quem é quem nessa jornada?
Ao longo do processo, a família se depara com uma equipe multidisciplinar, e compreender os papéis de cada um, ajuda a reduzir o medo:
→ Pediatra ou médico de família - é o primeiro contato; identifica sinais de alerta e faz encaminhamentos.
→ Hematologista pediátrico - especialista em doenças do sangue; muito presente nos casos de leucemia.
→ Oncologista pediátrico - responsável pelo diagnóstico e condução do tratamento.
→ Enfermeiros - acompanham a criança durante as sessões e no cotidiano do tratamento.
→ Radiologista e equipe de imagem - realizam e interpretam exames
→ Patologista - analisa biópsias (fundamental para confirmar e classificar)
→ Assistente social - apoia a família na navegação pelo sistema de saúde, nos direitos e nas necessidades práticas (transporte, benefícios, documentação).
→ Psicólogo - cuida da saúde emocional da criança e da família ao longo de todo o processo.
→ Nutricionista - orienta a alimentação durante o tratamento.
→ Dependendo do caso, a equipe aumenta e são adicionados profissionais da fisioterapia, odontologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outros.
Torna-se uma grande equipe da qual a família faz parte dela.
Os primeiros exames
Dependendo do quadro, o SUS pode solicitar exames para “abrir o caminho” da investigação:
- Hemograma completo (avalia anemia, plaquetas, leucócitos)
- Exames inflamatórios (quando necessários)
- Raio-x (por dor óssea, tosse persistente, dor)
- Ultrassom (abdômen, pescoço/ínguas)
- Quando indicado: tomografia ou ressonância magnética
- Nem todo exame confirma algo sozinho. O que pesa é o conjunto: sintomas + exame físico + resultados + evolução.
Exames que confirmam:
Quando há suspeita de câncer, alguns exames podem ser necessários para confirmar e definir o tipo (cada caso é um caso):
- Exames de imagem mais detalhados: tomografia, ressonância, avaliações específicas
- Biópsia (retirada de um fragmento para análise), muitas vezes esse é o exame que confirma o diagnóstico de tumores
- Mielograma / biópsia de medula (em suspeitas hematológicas, como leucemias)
- Punção lombar (em alguns protocolos)
- Imuno-histoquímica e genética/marcadores (para definir subtipo e tratamento mais adequado)
Essa parte da jornada costuma ser emocionalmente intensa porque envolve procedimentos, espera de laudos e muitas informações novas.
É nesse momento que fica claro, que o Câncer infantojuvenil não é só “uma doença”. É uma jornada que mexe com rotina de toda a família!
O que a família sente, mas quase ninguém explica
Entre consultas e exames, existem esperas. Entre elas, incertezas e medo. E, mesmo quando o tratamento começa, a vida não “pausa”! São as contas que chegam, a alimentação que precisa continuar, o deslocamento que aumenta, a casa que precisa funcionar.
A Domus existe para acolher, amparar e oferecer assistência integral às crianças e adolescentes com diagnóstico de câncer e suas famílias. Um compromisso com a vida que não termina quando o tratamento cessa, mas permanece mesmo após o fim da jornada, independentemente do desfecho. Esse é o motivo pelo qual, o seu apoio é vital!
A Domus atua sem o apoio do governo, e as demandas só crescem. Então, apoie quem apoia a vida!
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-> AVISO IMPORTANTE: Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem uma avaliação médica presencial. Apenas um profissional de saúde qualificado pode realizar diagnósticos, prescrever tratamentos e fornecer orientações específicas para cada caso. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um médico.
Fontes de pesquisa:
BVS/MS — Diagnóstico precoce do câncer na criança e no adolescente (PDF)
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diagnostico_precoce_cancer_crianca_2ed.pdf
BVS/MS — Protocolo de diagnóstico precoce do câncer pediátrico (PDF)
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_diagnostico_precoce_cancer_pediatrico.pdf
GRAACC — Cartilha “E se for câncer infantil? Os sinais da doença…” (PDF)
https://graacc.org.br/wp-content/uploads/2021/04/Cartilha_Diagnostico-precoce_1920x1080-1.pdf
INCA — Câncer da criança: sinais de alerta (folheto)
https://www.inca.gov.br/publicacoes/folhetos/cancer-da-crianca-sinais-de-alerta
INCA — Diagnóstico precoce na criança e no adolescente (PDF)
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/diagnostico-precoce-na-crianca-e-no-adolescente.pdf
Instituto Ronald McDonald — Guia Rápido: Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil (PDF)
https://institutoronald.org.br/wp-content/uploads/2024/04/Guia-Rapido-web-1.pdf
Ministério da Saúde (Gov.br) — Câncer infantil: sinais de alerta e tratamentos ofertados pelo SUS
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2023/fevereiro/cancer-infantil-conheca-os-sinais-de-alerta-e-os-tratamentos-ofertados-pelo-sus
OPAS/PAHO — Diagnóstico precoce do câncer em crianças e adolescentes: guia interativo de referência
https://www.paho.org/pt/documentos/diagnostico-precoce-do-cancer-em-criancas-e-adolescentes-guia-interativo-referencia
OPAS/PAHO (IRIS) — Série “Qualidade de Vida para Crianças com Câncer” (download)
https://iris.paho.org/bitstreams/13ed0696-83df-4640-bbf3-ef5d50df049b/download