Imagine abrir a galeria do celular e, no meio de fotos comuns, perceber algo diferente, um brilho esbranquiçado no olho da criança. Pode ser só em uma foto, mas, às vezes não é!
Apesar de ser um tipo de câncer raro, o retinoblastoma é o tumor intraocular mais comum na infância.
Por isso, pais, familiares e professores, o retinoblastoma pode ter altas chances de controle, de preservação do olho/visão e, principalmente, evitar que a doença avance, se ele for detectado cedo!
O que é retinoblastoma?
Trata-se de um tumor maligno que surge na retina, o tecido no fundo do olho responsável por captar a luz e enviar as imagens ao cérebro.
Ele normalmente ocorre nos primeiros anos de vida, frequentemente antes dos 5 anos, isso porque, está ligado ao desenvolvimento das células da retina nessa fase.
📌Na prática: é um tipo de câncer que pode começar dentro do olho, muitas vezes sem dor no início, e se manifestar com sinais que passam despercebidos… até que alguém “liga os pontos”.
Principais características:
Abaixo listamos alguns pontos que ajudam a entender por que esse tipo de câncer exige atenção rápida:
- Pode afetar um olho (unilateral) ou os dois (bilateral).
- Em muitos casos, está relacionado a alterações no gene RB1, que funciona como um “freio” do crescimento celular (gene supressor tumoral).
- Aproximadamente 40% dos casos são considerados hereditários (germinativos), ligados a alterações no RB1 presentes em todas as células do corpo.
- Mesmo quando é hereditário, muitas crianças não têm histórico familiar, mas, pode ocorrer por uma mutação nova, ao acaso, perto da concepção.
Em termos de cuidado, isso significa que aconselhamento genético pode fazer parte do acompanhamento, principalmente quando há doença bilateral, diagnóstico muito precoce ou casos na família.
Sinais e sintomas: o que observar no dia a dia
Aqui entra a parte mais valiosa deste texto: o que pais e cuidadores devem estar atentos:
1) Leucocoria: “pupila branca” ou “reflexo do olho de gato”
É o sinal mais comum e pode aparecer como:
- reflexo branco na pupila em fotos com flash;
- brilho branco sob determinadas luzes, quando a pupila dilata;
- pupila que não “fica vermelha” como o esperado em fotos.
📌 Importante: leucocoria não é sinônimo automático de câncer, mas é sinal de alerta e precisa de avaliação rápida com oftalmologista.
2) Estrabismo: conhecida como olho “torto”
Este é o segundo sinal mais frequente. Podendo surgir de forma repentina ou se tornar constante, especialmente quando a visão é afetada.
Existem, porém, outros sinais possíveis, especialmente em fases mais avançadas, como:
- piora da visão (difícil de perceber nos bem pequenos);
- vermelhidão persistente;
- dor ocular;
- aumento do olho ou “olho saliente” (proptose) em doença avançada;
- sinais de glaucoma secundário.
Como é feito o diagnóstico?
É realizado clinicamente e por imagem, por equipe especializada. Em geral, inclui:
-> Exame oftalmológico completo (fundo de olho)
O passo decisivo é olhar a retina por dentro do olho, com dilatação pupilar. Em muitas crianças pequenas, isso pode ser feito com sedação ou em ambiente apropriado para garantir segurança e qualidade do exame.
-> Exames de imagem
São usados para confirmar achados, avaliar extensão e planejar tratamento:
Ultrassonografia ocular (frequentemente identifica calcificações e características do tumor).
Ressonância magnética (RM) de órbitas e encéfalo para avaliar extensão e investigar risco de acometimento do nervo óptico/estrutura intracraniana (quando indicado).
-> E o “Teste do Olhinho” (Teste do Reflexo Vermelho)?
Esse é um exame de triagem neonatal simples, feito com oftalmoscópio, que ajuda a detectar alterações como leucocoria e outras condições oculares.
Ele deve ser realizado cedo e repetido em consultas da infância, conforme rotinas de atenção básica.
📌 Mas atenção: o teste do olhinho não substitui o exame completo com especialista quando há suspeita.
Retinoblastoma também é uma doença de adultos?
Aqui vale ressaltar: o retinoblastoma é, essencialmente, um câncer da infância. Ou seja, quando falamos em retinoblastoma infantojuvenil, estamos falando de um cenário em que suspeitar cedo faz enorme diferença.
Mitos sobre retinoblastoma (e o que é verdade)
-> “Se apareceu pupila branca na foto, é só efeito do flash.”
Às vezes é. Mas também pode ser leucocoria — e leucocoria é sinal de alerta. A recomendação segura é avaliar.
-> “Se a criança não sente dor, não é nada sério.”
Retinoblastoma pode começar sem dor. Esperar por dor pode significar esperar demais.
-> “Não temos caso na família, então não pode ser hereditário.”
Muitos casos hereditários acontecem por mutação nova, sem histórico familiar.
-> “Retinoblastoma sempre leva à perda do olho.”
Nem sempre. O tratamento é cada vez mais individualizado. Em alguns casos, é possível preservar o olho e até preservar visão, dependendo do estágio e resposta terapêutica.
Tratamento possíveis: o que pode ser indicado?
O tratamento do retinoblastoma depende de fatores como:
- tamanho e localização do tumor;
- presença de “sementes” no vítreo/retina;
- acometimento de um ou dois olhos;
- risco de extensão extraocular;
- presença de mutação germinativa RB1 (quando investigada).
Abaixo, os principais tratamentos utilizados (isolados ou combinados), conforme protocolos e avaliação médica:
1) Terapias locais (para lesões selecionadas), incluem técnicas que tratam o tumor dentro do olho, como:
crioterapia,
termoterapia/laser,
braquiterapia (placa).
2) Quimioterapia, pode ser usada de diferentes formas, conforme o caso:
sistêmica (por veia),
intra-arterial (direcionada para vasos que nutrem o olho),
intravítrea (especialmente em casos de sementes vítreas).
3) Radioterapia, Pode ser indicada em situações específicas. A escolha depende de estágio, idade, risco genético e outras variáveis clínicas.
4) Enucleação (retirada do olho), é recomendado quando o tumor está muito avançado no olho e há risco maior para a vida, a enucleação pode ser a opção mais segura.
É uma palavra dura. E ninguém está “preparado” para escutá-la.
📌Importante saber: em alguns casos, a enucleação é uma estratégia de cura e proteção da vida. Depois dela existem caminhos de reabilitação com prótese ocular e acompanhamento multiprofissional.
5) Tratamento de doença extraocular / avançada
Quando há extensão para órbita, linfonodos ou sistema nervoso central (situações mais raras, mas graves), podem ser indicadas combinações intensivas como quimioterapia sistêmica e radioterapia, e, em alguns casos, estratégias de alta intensidade (conforme centros e protocolos).
Insistimos no diagnóstico precoce! Porque ele:
- aumenta a chance de tratar com menor agressividade;
- pode aumentar as chances de preservar o olho (e, em alguns casos, visão);
- reduz risco de disseminação para fora do olho;
- diminui atrasos que custam tempo e tempo, no câncer, é vida.
📌 Lembramos que, para quem está lendo com o coração apertado: você não precisa ter certeza para procurar ajuda. Você precisa ter atenção.
Quando procurar atendimento com urgência?
Procure avaliação (de preferência com oftalmologista) se observar:
- reflexo branco na pupila (especialmente em fotos com flash);
- estrabismo novo ou persistente;
- olho vermelho que não melhora;
- queixa de dor ocular;
- sinais de piora visual;
- diferença de aparência entre os olhos em fotos.
Se estiver em dúvida, leve as fotos no celular para a consulta, isso ajuda muito.
Para pais e amigos: como apoiar uma família com suspeita ou diagnóstico
Às vezes, o melhor suporte é simples:
- oferecer companhia para consultas;
- ajudar com deslocamento;
- cuidar de irmãos por algumas horas;
- mandar mensagem sem cobrar resposta;
- lembrar a família de comer, descansar, respirar.
E, principalmente, não minimizar. O caminho pode ser cansativo e ninguém deve atravessá-lo sozinho.
-> AVISO IMPORTANTE: Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem uma avaliação médica presencial. Apenas um profissional de saúde qualificado pode realizar diagnósticos, prescrever tratamentos e fornecer orientações específicas para cada caso. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um médico.
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Fontes de pesquisa:
Instituto Nacional de Câncer (NCI/NIH). Retinoblastoma Treatment (PDQ®)–Health Professional Version (LINK).
Portal de Boas Práticas – IFF/Fiocruz. Principais questões sobre retinoblastoma (LINK).
Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde (BVSMS). 18/9 – Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma (LINK).
PubMed Central (PMC/NIH). Adult Retinoblastoma: A Case Report and Review of the Literature (LINK).
American Cancer Society. Hereditary Retinoblastoma (LINK).
American Cancer Society. Retinoblastoma (LINK).
Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Retinoblastoma: Risk Factors (LINK).
BVS Atenção Primária em Saúde (APS). Por que, como e quando devo realizar o teste do olhinho? (LINK).