Antes de novembro de 2018, as preocupações de Camila eram como as de qualquer jovem família de cidade pequena: equilibrar o orçamento!

Camila cresceu no interior de Caçapava do Sul, na região centro-sul do Rio Grande do Sul, e foi ali, na simplicidade do dia a dia, que aprendeu a medir o tamanho dos desafios e sem perceber, a régua que usaria para todo o resto da vida.

"Tem muitas coisas que a gente acha um problemão, e de repente, quando vem uma situação que realmente é grave, tu vê que todo o resto não é nada."

Tudo mudou para sua jovem família, na primeira quinzena de novembro de 2018, quando Cecília recebeu o diagnóstico de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) de células B, o tipo de câncer infantil mais comum. Pouco depois, em 17 de novembro, a pequena Ceci, já havia iniciado o tratamento oncológico.

A notícia que muda todas as prioridades

Diante do diagnóstico, Camila chamou sua mãe, que sem hesitar, perguntou "Ela está bem?" Era apenas uma avó, tentando, à distância, entender uma notícia com tanto poder de desestabilizar qualquer pessoa.

É sempre assim que o câncer chega: sem aviso, virando do avesso a vida de famílias inteiras. Camila lembra do instante exato em que ouviu a palavra "câncer" e o que pensou:

"Aquilo não podia estar acontecendo de verdade, parecia errado, impossível, algo que só existe na ficção. Não é possível na vida real, com certeza!" Foi o que passou pela cabeça.

Como um segundo lar 

Foi na oncologia, durante as internações, que Camila conheceu Rejane, coordenadora da Domus, que até hoje, é uma presença marcante em sua história. Desde o dia do seu registro como assistida na Domus, a família de Cecília recebeu 187 atendimentos diferentes.

Atendimentos no decorrer dos anos:

  • 40  Transportes por Aplicativo
  • 35  Atendimentos Psicológicos
  • 33  Cestas básica
  • 28  Cafés da Manhã
  • 17  Atendimentos de Assistência Social
  • 10 Leites (fardos)
  • 9  Frutas, Legumes e Verduras
  • 5  Kits de limpeza e higiene
  • 4  Transportes carro Domus
  • 3  Cestas de Natal
  • 1  Material Escolar
  • 1  Doces de Páscoa
  • 1  Brinquedos

Atualmente, Camila e Cecília, seguem frequentando o Projeto Social realizado às sextas-feiras na Domus.

Foi ali, entre tantas pessoas que ofereceram apoio, que Camila viveu também o lado mais duro da oncologia pediátrica: a convivência com outras crianças e suas famílias, em jornadas que nem sempre tiveram o mesmo final feliz.

Ela se lembra, com carinho e saudade, de algumas crianças que cruzaram seu caminho, que pareciam estar respondendo bem ao tratamento e que, inesperadamente, não resistiram.

"A gente se apega, sabe?", diz, a voz carregada de quem entende, na pele, o que é enfrentar a mesma guerra. Mas, mesmo diante das perdas, Camila reconhece que sua própria história foi cercada de cuidado, desde o início.

Camila, menciona a culpa silenciosa que acompanha tantas mães como ela, que carregam a sensação de nunca estar fazendo o suficiente. Sobre isso, fala abertamente. Ela reforça que houve muitos dias em que se perguntava:

"Às vezes bate aquele pensamento: será que eu não tô fazendo tanta coisa e não tô dando atenção pra ela?", confessa. “Será, que tô prestando atenção de verdade na Ceci?”

Esse é o peso invisível de quem, depois de atravessar o medo do diagnóstico e do tratamento, continua, todos os dias, tentando ser suficiente.

A força que veio de dentro

Quando perguntada sobre o que mudou nela ao longo de toda a jornada, Camila não hesita: o aprendizado vem de Ceci. "Ela é força!" E, é justamente essa força e energia que não se deixa abater, que Camila aponta como o maior ensinamento que recebeu e a maior motivação para continuar seguindo.

Hoje, mesmo com o tratamento concluído e Cecília tendo retomado os estudos e a rotina, aquele medo ainda é real. Medo de qualquer sinal, de qualquer gripe, ainda mora em algum canto do coração de Camila. "

"É difícil, porque somos muito preocupados com ela!", reconhece.

Porém, sabe que deve olhar para o presente: Cecília está bem, está saudável, brincando, sendo criança, vivendo, enfim, a infância que a doença ameaçou tirar dela.

Uma mensagem para quem está deste lado da tela

Ao final da conversa, Camila deixa um recado direto para quem talvez esteja pensando em apoiar essa causa criada especialmente para crianças em tratamento oncológico:

"Se você ama alguém, não tem como não seguir adiante." E completa, com a simplicidade de quem viveu na pele o quanto cada gesto importa: para quem pensa que doar pouco não ajuda, saiba que ajuda, e muito.

A jornada de Camila e Cecília é, antes de tudo, um lembrete sobre prioridades: sobre como aquilo que parecia urgente antes do diagnóstico se torna pequeno diante da vida, e sobre como a força de uma criança pode redefinir, para sempre, o que uma mãe entende por superação.

 
Este relato integra a série de histórias reais de famílias acompanhadas pela Domus. Se você quer conhecer mais sobre a causa e como ajudar crianças como a Cecília, entre em contato com a Domus.

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