Há encontros que começam sem alarde. Às vezes, cabem dentro de um gesto pequeno: uma tampinha separada em casa, um lacre guardado, um saco de materiais plásticos que deixa de ir para o lixo e ganha outro destino.

Foi assim que a Cris se aproximou da Domus.

Antes de conhecer a sede, antes de se tornar motorista voluntária, antes de criar uma rotina semanal dedicada à causa, ela começou pelo simples: separando materiais em casa para o Projeto Re.Ciclo. Primeiro, veio a curiosidade. Depois, a atenção às caixinhas de coleta em mercados. Mais tarde, a vontade de conhecer de perto o lugar para onde tudo aquilo era destinado.

E, quando percebeu, aquele gesto pequeno já tinha aberto um caminho maior.

“Eu comecei a separar em casa e a destinar para a Domus”, conta Cristiane Piamolini. Com o tempo, ela quis entender de que outras formas ela poderia ajudar. Passou pela triagem dos materiais, conheceu os bastidores da associação, mas, encontrou o lugar onde se sentia mais realizada: motorista voluntária!

Toda sexta-feira à tarde, ela já sabe: o tempo é da Domus.

“Voluntariado é retribuir o que há de bom na vida da gente”

Quando perguntada sobre o que resume o voluntariado, Cris não hesita: para ela, as duas palavras não cabem juntas. Trabalho voluntário, na sua visão, nem deveria existir como expressão.

“Voluntariado é uma coisa que parte de dentro da gente, do coração”, diz. “É uma forma de tentar retribuir tudo que eu tenho na minha vida.”

Não é sobre se sentir bem, embora isso também aconteça. É sobre sentir gratidão pela saúde, pelas condições de vida, por tudo que muitas vezes passa despercebido no dia a dia. E essa retribuição, segundo ela, pode começar em coisas mínimas como separar um lacre de latinha, destinar corretamente um resíduo plástico, entender a diferença entre o lixo seletivo e o orgânico. Pequenos gestos que sustentam, na outra ponta, famílias inteiras que vivem da coleta seletiva.

E essa é uma das belezas do voluntariado: ele não exige perfeição. Não exige uma agenda vazia, nem grandes estruturas, nem grandes gestos. Muitas vezes, começa em casa, com uma escolha cotidiana. 

Cris resume:

“Se houver disposição, contribuir com uma tampinha que seja já faz diferença.”


O caminho das coletas também é feito de encontros

Quem vê um saco de materiais plásticos talvez enxergue apenas resíduo. Mas, para quem conhece os bastidores da Domus, cada saco carrega cuidado, tempo, consciência e senso de comunidade.

Nas coletas, Cris encontra pessoas que já a reconhecem. Há lugares em que ela chega e escuta: “Ah, é a Cris lá da Domus.” Em outros, é recebida com sorriso, com portas abertas, com aquele sentimento bonito de que a solidariedade também cria familiaridade.

“Já somos de casa”, ela conta.

Antes de sair para buscar os materiais, Cris organiza o roteiro. Pensa no trajeto mais curto, evita gastar combustível à toa, cuida dos detalhes. Porque o voluntariado, quando nasce do coração, também se expressa na responsabilidade com os recursos, com o tempo e com a missão.

Cada coleta importa. Cada ponto de apoio importa. Cada pessoa que separa um material em casa também faz parte dessa corrente.


A imagem que ficou

Questionada sobre a primeira sensação que vem ao pensar na Domus, Cris não fala de números, nem de estrutura, nem de processos.

Ela fala de uma cena.

A festa de final de ano com as crianças cantando. A alegria que aparece mesmo depois de dias difíceis, tratamentos, mudanças de rotina e tantos desafios enfrentados pelas famílias.

“Ver o rostinho deles cantando, felizes… torna cada saco de material, cada coleta, algo que vale muito a pena”, diz.

Essa imagem ficou guardada nela. Porque, na Domus, a causa nunca é abstrata. Ela tem nome, rosto, família, história, rotina, medos, esperanças e recomeços. O diagnóstico de câncer infantojuvenil transforma a vida de todos ao redor da criança. Por isso, o apoio precisa ir além do tratamento, o apoio precisa de acolhimento, orientação e assistência.

Esse é o compromisso da Domus, permanecendo junto das famílias durante e após o tratamento, em todas as etapas da jornada. Um compromisso com a vida em suas muitas dimensões.


A surpresa ao conhecer os bastidores

Ao se aproximar mais da Domus, Cris também descobriu que a associação não recebe apoio governamental.

“Foi uma grande surpresa”, lembra. Olhando para o tamanho da Domus e para tudo o que é realizado, ela imaginava que houvesse algum aporte público. Mas não há.

A Domus se mantém graças à solidariedade da comunidade, por meio de iniciativas como o Projeto Re.Ciclo, o Brechó Solidário, Carnê Solidário e apoio de pessoas e empresas que acreditam na causa.

E essa realidade torna cada gesto ainda mais importante.

Porque, enquanto as demandas crescem, a Domus precisa seguir garantindo suporte às crianças, aos adolescentes e suas famílias. Além desse apoio é necessário manter a casa funcionando com estrutura, equipe, despesas fixas e tudo aquilo que sustenta o cuidado diário.

“Eu não sou a mesma Cris de dois anos atrás”

Cris entrou na Domus para ajudar. Mas, como acontece tantas vezes no voluntariado, também foi transformada.

“Eu não sou a mesma Cris de dois anos atrás”, afirma. “E a Domus tem uma parte importante dessa mudança.”

Para ela, o voluntariado desperta algo, acende uma disposição para oferecer tempo, energia, carinho, afeto e presença, sem esperar algo em troca, mas entendendo que a vida fica diferente quando a gente se coloca em movimento pelo outro.

Cris diz que sai de casa para fazer voluntariado porque é bom, porque é gratificante, porque é “um sorriso na alma da gente”.

E esse sorriso, de alguma forma, volta junto. Vai para casa, chega à família, atravessa conversas, muda o olhar para o dia. Aos poucos, o voluntariado deixa de ser apenas uma atividade na agenda e passa a ser uma forma de estar no mundo.


Comece pelo simples

Para quem pensa que não tem tempo para ajudar, Cris deixa um convite: comece com o que você pode.

Separe e guarde lacres de latinhas, resíduos plásticos em casa. Converse com o condomínio, com a empresa, com o mercadinho do bairro. Abra um ponto de coleta. Doe itens em bom estado para o Brechó Solidário. Ofereça algumas horas. Conheça a Domus.

A solidariedade não precisa começar grande. Ela só precisa começar.

“Faça o seu pouco, faça o melhor”, diz Cris. “A solidariedade não é volume, é a intenção do que tu faz.”

E, para quem só precisa de um incentivo, ela resume em poucas palavras:

“Vem. Só vem. Vem conhecer, vem ver. Não precisa ter receio.”

Na Domus, cada gesto se soma a muitos outros para sustentar uma rede de cuidado que acolhe crianças, adolescentes e suas famílias, em uma das fases mais delicadas de suas vidas.

Na Domus o compromisso é com a vida e sempre há uma forma de fazer parte.

-> Quer ser voluntário ou apoiar a Domus?

Entre em contato com a Domus e descubra como contribuir com seu tempo, seus talentos ou suas doações.

☎️ Telefone: (54) 3221-0849
📲 WhatsApp: (54) 99264-2147

Sua ajuda, do tamanho que for possível, pode se transformar em acolhimento, cuidado e esperança para quem mais precisa.

Fonte: Cristiane Piamolini

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