Duas crianças recebem o mesmo diagnóstico, o Tumor de Wilms. Uma passa primeiro pela cirurgia; a outra começa pela quimioterapia. Em um dos casos, o rim afetado precisa ser retirado, no outro, a equipe avalia preservar uma parte dele.
À primeira vista, pode parecer estranho que uma mesma doença tenha caminhos tão diferentes. Mas essa é uma característica especialmente visível no Tumor de Wilms. Porém, o tratamento não depende apenas do nome do câncer, mas de como ele se apresenta em cada criança, ou seja, onde está, quanto cresceu, se envolve um ou os dois rins.
Antes de aparecer no rim, existe uma história que começa muito cedo
O Tumor de Wilms, também chamado de nefroblastoma, é um câncer que se desenvolve no rim e ocorre principalmente na infância.
A sua origem está relacionada ao próprio processo de formação renal. Significa que durante a gestação, algumas células podem permanecer mais imaturas do que o esperado, e alterações nesse processo estão relacionadas ao desenvolvimento do tumor, por isso ele é considerado de característica embrionária.
Isso ajuda a entender que na maioria das vezes, não há uma causa externa que a família pudesse identificar ou evitar. Por isso, no câncer infantojuvenil, a atenção está muito mais voltada para reconhecer alterações no organismo e investigar rapidamente do que para buscar uma explicação para o surgimento da doença.
Depois da descoberta de uma massa renal, os exames de imagem ajudam a equipe a entender onde o tumor está localizado, sua relação com outras estruturas e como está o outro rim. Essas informações formam um "mapa" da doença que interfere diretamente nas decisões seguintes, inclusive na pergunta mais comum: por que algumas crianças são operadas primeiro e outras fazem quimioterapia antes?
Existem diferentes estratégias reconhecidas na oncologia pediátrica. Em algumas situações, o tumor é retirado logo no início, e a análise do material orienta as próximas etapas; em outras, a quimioterapia é usada antes da cirurgia para reduzir o tumor e facilitar sua retirada. Começar por uma ou outra não indica que o caso seja "pior" ou "mais simples", a sequência faz parte de uma estratégia escolhida para aquela criança.
É sempre necessário retirar o rim inteiro?
Em muitos casos, a cirurgia envolve a retirada do rim afetado, e o organismo pode funcionar normalmente com apenas um rim saudável.
Existem também, situações em que os dois rins apresentam tumores e preservar o tecido renal se torna uma preocupação ainda maior. Nesses casos, a equipe pode usar quimioterapia para reduzir as lesões antes de planejar uma cirurgia que retire o câncer preservando a maior quantidade possível de tecido saudável.
Em situações selecionadas, também pode ser considerada a retirada de apenas parte do rim, chamada de cirurgia de preservação renal.
O objetivo é sempre o mesmo equilíbrio, ou seja, tratar o câncer com segurança e, ao mesmo tempo, proteger a função renal para os anos que virão. Essa decisão depende de muitos fatores e só pode ser tomada por uma equipe especializada, pois nem todo tumor permite esse tipo de abordagem.
Por que pensar no rim, daqui a 10, 20 ou 30 anos?
Porque o tratamento do câncer infantojuvenil não olha apenas para o presente. Quando existem boas possibilidades de cura, surge também a responsabilidade de pensar na saúde que essa criança terá quando crescer.
Depois de uma cirurgia renal, o acompanhamento pode incluir atenção à função dos rins e à pressão arterial, já que o rim que permanece assume uma parcela maior do trabalho. Por isso, o fim da quimioterapia não significa o fim do cuidado e sim, o início do acompanhamento, onde serão observados possíveis efeitos tardios e serão identificados precocemente qualquer alteração que mereça atenção.
E a genética? O Tumor de Wilms passa de pais para filhos?
Um câncer ter alterações genéticas não significa necessariamente que ele seja hereditário. Na maioria dos casos, as alterações ocorrem apenas nas células do tumor.
Em uma parcela dos pacientes, porém, características presentes desde o nascimento podem indicar uma predisposição maior, associada a síndromes e condições genéticas conhecidas.
Por isso, dependendo da idade da criança, do envolvimento dos dois rins ou do histórico familiar, a equipe pode considerar uma avaliação genética e de caráter individual, ou seja, a investigação identifica a possibilidade de outros integrantes da família desenvolverem a doença.
A investigação genética serve para compreender melhor o caso em questão e definir o acompanhamento adequado.
A imagem mostra muita coisa, mas não revela tudo!
O que os médicos encontram depois da cirurgia também pode mudar o caminho, isso porque, depois de retirado, o tumor é analisado em laboratório, e essa avaliação ajuda a entender como ele tende a se comportar.
Dois Tumores de Wilms podem parecer semelhantes nos exames e, ainda assim, apresentarem diferenças importantes ao microscópio.
Essa análise, somada à localização da doença e às demais informações da investigação, ajuda a decidir quais medicamentos serão necessários, por quanto tempo e se haverá indicação de radioterapia.
Quando o tratamento termina
Chegar ao fim dessa etapa é uma conquista imensa, mas, a fase seguinte merece tanta atenção quanto as anteriores. Nos primeiros anos, as consultas tem o propósito de acompanhar a possibilidade de retorno da doença e a olhar a saúde da criança como um todo.
- Como está a função renal?
- A pressão arterial está adequada?
- O crescimento segue como esperado?
- Existe algum efeito relacionado aos medicamentos ou à radioterapia recebida?
- Como estão a escola, as relações sociais e a saúde emocional depois de tudo o que foi vivido?
Sobreviver ao câncer infantojuvenil significa também ter a oportunidade de crescer com saúde, estudar, brincar e construir uma vida depois do tratamento.
-> AVISO IMPORTANTE: Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem uma avaliação médica presencial. Apenas um profissional de saúde qualificado pode realizar diagnósticos, prescrever tratamentos e fornecer orientações específicas para cada caso. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um médico.
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Fontes de pesquisa:
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