Às vezes, o primeiro sinal não parece grande coisa. Na infância, muitos sintomas se parecem com quadros comuns. Mas quando eles persistem, se repetem ou vêm acompanhados de mudanças no comportamento da criança, merecem ser olhados com atenção.

O neuroblastoma é um tipo de câncer infantojuvenil que pode começar discreto, confundido com desconfortos do dia a dia, até que o corpo começa a insistir que algo precisa ser investigado.

O que é neuroblastoma?

É um câncer que se forma a partir de células nervosas imaturas. Ele costuma surgir em regiões ligadas ao sistema nervoso simpático, especialmente no abdômen, muitas vezes próximo às glândulas adrenais, que ficam sobre os rins. Também pode aparecer no tórax, no pescoço ou perto da coluna.

Na prática, isso ajuda a entender por que os sintomas podem ser tão diferentes entre uma criança e outra. Um tumor abdominal pode causar barriga aumentada ou dor, se estiver próximo à coluna pode afetar movimentos, intestino ou bexiga, já próximo ao tórax, pode interferir na respiração.

Não existe uma única “cara” para esse diagnóstico.

Por que ele pode demorar a ser percebido?

Porque muitas crianças continuam tentando brincar, sorrir e seguir a rotina, mesmo quando algo não está bem.

Além disso, alguns sinais como constipação, dor abdominal, febre, perda de apetite, cansaço e irritabilidade são comuns em várias doenças da infância. O desafio está em perceber quando o quadro não melhora como esperado.

Os cuidadores costumam ser os melhores observadores da criança. Quando dizem que ela “não está igual”, essa percepção deve ser levada a sério. A persistência de sintomas ou a falta de melhora dentro do padrão esperado justificam reavaliação médica.

Sinais que merecem atenção

Os sintomas do neuroblastoma variam conforme a localização do tumor.

Procure avaliação médica, especialmente se houver:

  • Barriga inchada, endurecida ou dolorida;
  • Constipação persistente ou mudança importante no hábito intestinal;
  • Perda de apetite ou emagrecimento sem explicação;
  • Dor nas pernas, nas costas ou nos ossos;
  • Dificuldade para caminhar, mancar ou recusar ficar em pé;
  • Febre recorrente sem causa identificada;
  • Cansaço intenso, palidez ou irritabilidade incomum;
  • Manchas roxas ao redor dos olhos;
  • Dificuldade para respirar, tossir ou engolir.


Esses sinais não significam, necessariamente, câncer. Mas indicam que a criança precisa ser avaliada rapidamente, com cuidado, principalmente quando os sintomas não passam ou aparecem em conjunto.

Algumas queixas merecem atenção especial porque podem indicar compressão de estruturas importantes. Tumores retroperitoneais, como o neuroblastoma, podem causar compressão medular, levando a dor nas costas e pernas, dificuldade para andar, alterações de sensibilidade e mudanças no controle urinário ou intestinal. Nesses casos, o encaminhamento para serviço especializado deve ser imediato.

Existe exame de rotina para prevenir?

Não há recomendação de rastreamento em massa para neuroblastoma em crianças sem sintomas. O INCA informa que não há evidência científica de que esse rastreamento traga mais benefícios do que riscos. Por isso, o caminho mais importante é investigar sinais e sintomas quando eles aparecem.

Em outras palavras: não se trata de fazer exames em todas as crianças o tempo todo. Trata-se de não normalizar sintomas persistentes.

Como o diagnóstico é feito?

A confirmação depende de avaliação médica e exames específicos. O INCA cita exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia, ressonância, cintilografia com MIBG e/ou PET-TC. Também podem ser necessários exames de sangue, dosagem de marcadores urinários, estudo da medula óssea e biópsia do tumor.

A biópsia é importante porque confirma o diagnóstico e ajuda a identificar características do tumor que orientam o tratamento.

Para os cuidadores, esse período costuma ser um dos mais difíceis: consultas, encaminhamentos, espera por resultados e muitas palavras novas. Nessas horas, anotar sintomas, datas, exames realizados e dúvidas para a consulta pode ajudar a família a se sentir menos perdida.

Mitos que atrapalham a busca por ajuda

🚫 “Se a criança brinca, não deve ser grave.”
Nem sempre. Crianças podem manter momentos de brincadeira mesmo com sintomas importantes.

🚫 “Dor na perna é crescimento.”
Pode ser algo simples, mas dor persistente, dor óssea, dificuldade para andar ou mancar precisam ser avaliados.

🚫 “Barriga inchada é sempre intestino preso.”
A constipação é comum, mas barriga aumentada, endurecida, dolorida ou associada a perda de peso merece investigação.

🚫 “Se o primeiro tratamento não resolveu, é só esperar mais.”
Quando o sintoma persiste ou piora, a reavaliação é parte do cuidado.

A família também precisa ser cuidada

O diagnóstico positivo do câncer muda a rotina, o trabalho, a escola, a alimentação, os deslocamentos, a renda, o sono e a vida emocional. Não é apenas a criança que entra em tratamento, a família inteira passa a viver em torno de consultas, exames, internações e decisões difíceis.

É nesse espaço que a Domus atua.

Sem apoio governamental, a Domus oferece suporte psicológico, psicossocial e financeiro para crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer na Serra Gaúcha. O apoio pode se transformar em alimento, material de higiene, medicamentos, consultas, exames, roupas, calçados, escuta e presença.

E esse vínculo não se encerra quando o tratamento termina. O compromisso da Domus é com a vida em todas as suas dimensões.

-> AVISO IMPORTANTE: Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem uma avaliação médica presencial. Apenas um profissional de saúde qualificado pode realizar diagnósticos, prescrever tratamentos e fornecer orientações específicas para cada caso. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um médico.

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Fontes de pesquisa:

Instituto Nacional de Câncer - INCA: Neuroblastoma, versão para população. LINK

Instituto Nacional de Câncer - INCA: Neuroblastoma, versão para profissionais de saúde. LINK.

National Cancer Institute - NCI: Neuroblastoma Treatment, versão para pacientes. LINK.

American Cancer Society: sinais e sintomas do neuroblastoma. LINK.

Instituto Ronald McDonald/INCA: Diagnóstico precoce do câncer na criança e no adolescente. LINK.

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