Semelhante à muitas situações comuns da infância e adolescência, o osteossarcoma pode ser erroneamente interpretado como "apenas" uma dor na perna, um joelho inchado! Muitas famílias estão habituadas a ocorrências que desencadeiam esses resultados e, na maioria das vezes, está ligada a quedas, esportes ou fases de crescimento. Mas quando a dor persiste, piora ou acorda a criança durante a noite, é importante investigar.

O osteossarcoma é um tipo de câncer ósseo que aparece com mais frequência em crianças e adolescentes. Ele é considerado o tumor ósseo infantil mais comum e costuma surgir em ossos longos, especialmente perto do joelho ou do ombro.

Falar sobre osteossarcoma infantojuvenil não é motivo para medo, mas para atenção. Informação clara ajuda famílias a reconhecerem sinais, buscarem atendimento médico e atravessarem a jornada com mais apoio.

O que é osteossarcoma?

O osteossarcoma é um câncer que começa nas células responsáveis pela formação do tecido ósseo. Ele pode aparecer em qualquer osso, mas é mais comum:

  • Na parte inferior do fêmur, perto do joelho;
  • Na parte superior da tíbia;
  • No úmero, próximo ao ombro;
  • Mais raramente, em ossos como pelve ou crânio.

Em geral, o osteossarcoma se desenvolve após os 10 anos, sendo raro antes dos 5 anos. Isso explica por que muitos casos aparecem justamente em uma fase de crescimento intenso, quando dores musculares e articulares também são comuns.

Nem toda dor óssea é sinal de câncer. Mas toda dor persistente merece ser escutada com atenção. (DONADIO, diretor da Domus).

Quais sinais devem acender o alerta?

Os sintomas podem ser discretos no início e parecidos com problemas comuns da infância e adolescência. Segundo o St. Jude/Together, eles podem incluir dor em um osso ou articulação, dificuldade de movimentar a articulação, inchaço ou protuberância, mancar, dificuldade para caminhar e até fratura. A dor pode piorar ao longo de semanas ou meses e acordar a criança durante a noite.

Procure avaliação médica quando houver:

  • Dor óssea persistente, principalmente se piora com o tempo;
  • Inchaço perto de uma articulação;
  • Mancar ou evitar apoiar uma perna;
  • Limitação de movimento no braço, perna ou articulação;
  • Fratura após trauma leve;
  • Dor que não melhora bem com repouso ou medidas habituais.

O ponto central é observar a evolução. Uma dor que muda a rotina da criança ou do adolescente precisa ser investigada, mesmo que pareça “dor de crescimento” ou consequência de atividade física.

Como é feito o diagnóstico?

Assim como, todos os tipos de cânceres, o diagnóstico do osteossarcoma não é feito apenas pela aparência do sintoma. A equipe de saúde pode solicitar exames de imagem, como radiografia, ressonância magnética, tomografia do tórax, cintilografia óssea ou PET scan, além de biópsia para análise do tecido.

A tomografia de tórax é importante porque, quando o osteossarcoma se espalha, o local mais comum de metástase é o pulmão.

Por isso, o caminho mais seguro é:

sintoma persistente consulta médica investigação adequada encaminhamento especializado, quando necessário.

Osteossarcoma tem tratamento?

Sim. O tratamento costuma envolver quimioterapia e cirurgia. Em muitos casos, a cirurgia busca retirar o tumor preservando o membro, substituindo a parte do osso retirada por uma prótese ou outro segmento ósseo. A amputação pode ser indicada quando não é possível remover todo o tumor com segurança por cirurgia preservadora.

A radioterapia não é usada com frequência no osteossarcoma, mas pode ser considerada quando o tumor não pode ser totalmente removido ou quando permanecem células tumorais após a cirurgia.

Cada tratamento é individual. Idade, localização do tumor, presença ou não de metástases, resposta à quimioterapia e possibilidade de remoção cirúrgica influenciam o plano terapêutico.

O que dizem os dados?

No Brasil, o câncer infantojuvenil é a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, representando 8% do total nessa faixa etária, segundo o INCA.

O próprio INCA reforça que, nos tumores da infância e adolescência, a prevenção não é uma opção. Por isso, a ênfase deve estar no diagnóstico precoce e no tratamento de qualidade.

No caso do osteossarcoma, crianças com um único foco da doença, completamente removível por cirurgia, podem ter de 65% a 70% de chance de cura a longo prazo; quando a doença já se espalhou no diagnóstico, as chances são menores.

Mitos e verdades sobre osteossarcoma

“Dor de crescimento sempre é normal.”
→ Mito. Muitas dores são benignas, mas dor persistente, progressiva, com inchaço ou que atrapalha a rotina precisa de avaliação.

“Osteossarcoma sempre leva à amputação.”
→ Mito. A maioria dos casos pode ser tratada com cirurgia de preservação do membro, quando há condições clínicas e cirúrgicas para isso.

“Adolescentes também precisam de atenção oncológica pediátrica.”
 Verdade. O câncer infantojuvenil inclui crianças e adolescentes, e o cuidado deve considerar corpo, emoções, escola, família e rotina.

“Depois do tratamento, o acompanhamento continua.”
→ Verdade. Pacientes tratados para osteossarcoma precisam de acompanhamento periódico por anos, tanto para observar recidivas quanto possíveis efeitos tardios.

O cuidado vai além do hospital

Quando uma criança ou adolescente recebe um diagnóstico oncológico, a vida da família muda de forma profunda. Consultas, exames, deslocamentos, medicamentos, alimentação, escola e trabalho dos responsáveis passam a fazer parte da mesma jornada. É aqui que a rede de apoio se torna essencial.

A Domus, em Caxias do Sul, atua sem apoio governamental para amparar crianças e adolescentes com câncer na Serra Gaúcha. O suporte vai além do tratamento: envolve acolhimento psicológico, psicossocial e financeiro, apoio com medicamentos, consultas, exames, alimentos, materiais escolares, itens de higiene e limpeza, roupas, calçados e outras necessidades das famílias assistidas.

E esse vínculo não termina quando o tratamento acaba. Na Domus, o compromisso permanece durante e após a jornada, porque o cuidado com a vida também inclui dignidade, escuta e presença.

-> AVISO IMPORTANTE: Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem uma avaliação médica presencial. Apenas um profissional de saúde qualificado pode realizar diagnósticos, prescrever tratamentos e fornecer orientações específicas para cada caso. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um médico.

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Fontes de pesquisa:

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Câncer infantojuvenil. Rio de Janeiro: INCA, [s.d.]. Disponível neste link.

INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Câncer infantojuvenil: versão para população. Rio de Janeiro: INCA, [s.d.]. Disponível neste link. 

NATIONAL CANCER INSTITUTE. Osteosarcoma and UPS of bone treatment (PDQ®): patient version. Bethesda: National Cancer Institute, [s.d.]. Disponível neste link.

ST. JUDE CHILDREN’S RESEARCH HOSPITAL. Osteossarcoma. Memphis: St. Jude Children’s Research Hospital, [s.d.]. Disponível neste link.

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