Quando uma criança ou adolescente muda seu jeito de agir, perde o equilíbrio com frequência, reclama de dores persistentes ou passa a apresentar sintomas que não combinam com sua rotina habitual, é natural que a família busque explicações simples. Afinal, na infância, muitos sinais podem parecer passageiros.

Os tumores do Sistema Nervoso Central, também chamados de tumores do SNC, afetam o cérebro e/ou a medula espinhal. Na infância e adolescência, eles estão entre os tipos mais importantes de câncer infantojuvenil e exigem um olhar cuidadoso, porque seus sintomas podem ser confundidos com situações comuns do dia a dia.

Segundo dados do Panorama da Oncologia Pediátrica, com base em informações do INCA, os tumores do sistema nervoso central representam cerca de 20,3% dos cânceres infantojuvenis no Brasil, considerando crianças e adolescentes de 0 a 19 anos.

Na Domus, sabemos que o diagnóstico de câncer não transforma apenas a rotina de uma criança: ele reorganiza a vida de toda uma família. Por isso, informação clara, acolhimento e apoio contínuo são parte essencial do cuidado.

O que é um tumor do SNC?

O Sistema Nervoso Central é formado pelo cérebro e pela medula espinhal. Ele coordena funções fundamentais do corpo, como movimento, equilíbrio, visão, fala, memória, comportamento, aprendizado e controle de várias funções vitais.

Um tumor nessa região acontece quando células passam a crescer de forma anormal. Esses tumores podem ter comportamentos diferentes: alguns crescem lentamente, outros evoluem de forma mais agressiva. A apresentação clínica varia conforme a localização do tumor, tipo, velocidade de crescimento e idade da criança.

Entre os tumores cerebrais pediátricos, podem aparecer tipos como gliomas, meduloblastomas, ependimomas, craniofaringiomas e outros. O tratamento e o prognóstico dependem de avaliação médica especializada.

Por que os sinais podem ser difíceis de perceber?

Diferente de muitos cânceres em adultos, o câncer infantojuvenil costuma ter sinais pouco específicos no início. O Instituto Ronald McDonald destaca que a detecção pode ser retardada justamente porque os primeiros sintomas nem sempre parecem graves e podem se confundir com outras doenças comuns da infância.

Por isso, a atenção deve estar voltada à persistência, à progressão e à combinação de sintomas.

Um sintoma isolado nem sempre indica algo grave. Mas sinais repetidos, que pioram ou aparecem junto com alterações neurológicas, merecem avaliação médica.


Sinais de alerta para tumores do SNC em crianças e adolescentes

Procure atendimento médico se a criança ou adolescente apresentar sinais como:

  • Dor de cabeça persistente, principalmente ao acordar;
  • Vômitos frequentes, especialmente pela manhã;
  • Alteração da marcha, quedas frequentes ou perda de equilíbrio;
  • Convulsões;
  • Alterações visuais, como visão dupla, estrabismo adquirido ou movimentos anormais dos olhos;
  • Sonolência excessiva ou mudança importante no nível de energia;
  • Mudanças de comportamento ou humor sem explicação clara;
  • Dificuldades escolares repentinas;
  • Perda de habilidades já adquiridas, como fala, coordenação ou controle motor;
  • Em bebês, aumento desproporcional do perímetro da cabeça, fontanela abaulada ou olhar em “sol poente”.


O guia de diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil aponta que cefaleia persistente com alteração neurológica, vômitos matinais, mudança no padrão da dor de cabeça, convulsões, alterações visuais e anormalidades da marcha estão entre os sinais que exigem investigação rápida.

Como é feito o diagnóstico?

Quando há suspeita, o médico pode solicitar exames de imagem, como tomografia computadorizada e, principalmente, ressonância magnética. Esses exames ajudam a identificar a localização da lesão e orientar a próxima etapa da investigação.

Em alguns casos, pode ser necessária biópsia ou cirurgia para confirmar o tipo de tumor. O ideal é que a criança seja encaminhada para um serviço especializado em oncologia pediátrica e neurocirurgia, evitando atrasos entre diagnóstico e início do tratamento.

Quais são as formas de tratamento?
O tratamento pode envolver uma ou mais abordagens, de acordo com o tipo de tumor, localização, idade da criança e condições clínicas:

  • Cirurgia, quando possível, para retirar total ou parcialmente o tumor;
  • Quimioterapia, para combater células tumorais;
  • Radioterapia, indicada em situações específicas;
  • Terapias-alvo e novas abordagens, em alguns casos;
  • Reabilitação, com fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e apoio neuropsicológico.


O National Cancer Institute aponta que tratamentos para tumores embrionários do SNC em crianças podem incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, sempre com planejamento feito por equipe especializada em tumores cerebrais pediátricos.

O cuidado vai além do tratamento médico

O câncer infantojuvenil impacta a criança, os cuidadores, os irmãos, a escola e toda a rede familiar. Estudos sobre impacto psicossocial mostram que o diagnóstico pode trazer medo, ansiedade, isolamento social, interrupção da rotina escolar e mudanças intensas na dinâmica familiar.

É nesse ponto que o trabalho da Domus se torna essencial.

A Domus atua sem apoio governamental, oferecendo suporte psicológico, psicossocial e financeiro para famílias da Serra Gaúcha que enfrentam o câncer infantojuvenil. Esse apoio pode se transformar em medicamentos, exames, consultas, alimentos, produtos de higiene, materiais escolares, roupas, calçados e acolhimento em momentos de grande vulnerabilidade.

Na Domus, o vínculo com as famílias não se encerra com o tratamento. O compromisso é com a vida em todas as suas dimensões.


-> AVISO IMPORTANTE: Este artigo tem caráter informativo e educacional. As informações aqui contidas não substituem uma avaliação médica presencial. Apenas um profissional de saúde qualificado pode realizar diagnósticos, prescrever tratamentos e fornecer orientações específicas para cada caso. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure sempre um médico.


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Fontes de pesquisa e leitura complementar:

INCA — Câncer infantojuvenil. (LINK)

Instituto Ronald McDonald — Guia Rápido: Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil (LINK).

Panorama da Oncologia Pediátrica — Instituto Desiderata (LINK).

National Cancer Institute — Childhood Brain and Spinal Cord Tumors (LINK).

National Cancer Institute — Childhood Medulloblastoma and Other CNS Embryonal Tumors Treatment (LINK).

National Cancer Institute — Childhood Central Nervous System Germ Cell Tumors Treatment (LINK).

Revista Brasileira de Cancerologia / INCA — Câncer Infantojuvenil do Sistema Nervoso Central (LINK).

Revista Brasileira de Cancerologia / INCA — Distribuição da Mortalidade Infantojuvenil por Tumores do Sistema Nervoso Central (LINK).

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